terça-feira, 16 de junho de 2015

Levantar voo,
Aterrar,
Vais fugir?
Não, vou voar.

Voar?
Partir.
Aturar para maturar
Sair, cansado de anuir.


Tudo não é fácil.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Part I

Há exercícios imperfeitos
Coisas inacabadas
Só vejo defeitos
Em casas alteradas

Tudo muda
Isto é assim
Habitua-te miúda


Hoje e agora,
Fazer rimas é foda
Sem demora

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A epopeia da velhice, para ti.

Em ti vou morrer
Em ti vou morar
O novo dia vais ter
Junto a mim, um novo ser.

Nasce de novo
Canta para povo
Cresce o Inverno
Num lar ultramoderno

Feito para todos,
Esta bossa nova
Nesta velhice só nossa
Sem qualquer sova.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014


Dorme-se melhor quando se pratica a respiração sincronizada. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Habitar em ti

Aqui mora gente.
Moro eu, moras tu, moramos nós.
Moram aqueles que querem morar e aqueles que virão a morar.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sensações

As mãos que me guiam até ao espaço, o espaço entre os teus dedos.
As minhas mãos que me levam até ti e que me fazem encontrar-te naquele pedaço de lugar que nada é mais senão a junção dos nossos dedos.
São elas que me permitem tocar-te, saber onde começa o teu pescoço ou sentir-te até ao osso.
Agarrar-te com força até te tirar o ar, sentir a tua forte pulsação ou acalmar-te o coração.
Dar-me a sentir: sentir a água que corre, as flores a abrir ou o teu rosto a sorrir.
Um mar imenso de sensações que me levam até nós. 

Amarrar-te para não mais te largar.

sábado, 1 de março de 2014

"Aconteceu o pior: o esquecimento
Esqueci tudo o que deve ser lembrado
E já não sei se és tu ou se te invento
E se o que resta é só o imaginado

Esqueci o nome o olhar esqueci o rosto
Reclinado nas tardes de setembro
E já não sei sequer quem foi deposto
E se lembro não sei se és tu que lembro

Porque tudo o que esqueci e não esqueci
O esplendor dos corpos no azul de agosto
E aquele não sei que que havia em ti
E aquele ardor em mim de foto posto

Esqueço a  lembrar se te lembro esqueço
E já não sei se és margem ou ainda o centro
De tanto te inventar não te conheço

E quanto mais te esqueço mais te lembro"
Manuel Alegre

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade."


Alvaro de Campos

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Poli



Há duas coisas nesta vida que podemos e devemos tomar como certas: nós e o nosso reflexo. Ainda que por vezes ele nos atraiçoe e nos deixe ficar mal. Mas a quem é que nos deixa ficar mal?
 Dois mil e catorze rima com afirmação. 
Dois mil e catorze é o ano do nós e da mais completa sincronização  entre o nós e o nosso reflexo. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


Ossos Moles


domingo, 3 de novembro de 2013

"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham prá você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você"

domingo, 15 de setembro de 2013


Todas as canções que me deves
Um dia hás de tocá-las
Na minha nova casa
Debaixo da minha asa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tudo o que ele viu foi vermelho


O nascer daquele sol anunciava tudo o que ele não queria.
A vida tinha voltado ao zero.
Naquela que outrora foi a casa da partida era agora a casa da sua maior derrota.
Sentou-se no sofá calmamente, como um bom derrotado, encostou a cabeça e deixou cair os dados.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"1º Amigo

(bebendo conhaque e soda, debaixo de árvores, num terraço, à beira-d'água) Camarada, por estes calores do Estio que embotam a ponta da sagacidade, repousemos do áspero estudo da Realidade humana...
Partamos para os campos do Sonho, vaguear por essas azuladas colinas românticas onde se ergue a torre abandonada do Sobrenatural, e musgos frescos recobrem as ruínas do Idealismo... Façamos fantasia!...

2º Amigo

Mas sobriamente, camarada, parcamente!...
E como nas sábias e amáveis alegorias da Renascença, misturando-lhe sempre uma Moralidade discreta..."

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Chama-se Lucinda e eu cantaria mais ou menos assim

Lucinda vem cá até mim
Senta-te ao meu colo
Não sejas má para mim
Vais ouvir-me a cantar
Aguenta aí até ao fim
Prometo eu vou-me calar
Mas, por favor, ouve-me só a mim

terça-feira, 6 de agosto de 2013


Um dia escreverei um poema
Só sobre ti, sem problema
Com cinco palavras por verso
Explicar nosso amor ao universo


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mau humor só se trata com bom amor.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Jantar?


O prato frio é o teu jantar
Vais-me comer o calcanhar
Hoje não saltas para a sobremesa
Hoje não sais daqui, Teresa

Temos música para te ajudar
A digerir este maldito jantar
Mastiga, engole e não deites fora
Olhem, como ela nada descora.



domingo, 7 de julho de 2013

Antes de se ir embora já com as malas mão perguntou-lhe:


- Precisas de mim para mais alguma coisa?
- Sim. Para viver.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Casa


Chegou a casa já era de manhã. Descalçou-se à entrada e correu para a casa de banho para lavar os dentes e disfarçar o hálito a álcool antes de se deitar junto dela.
Cuidadosamente pousou o calçado junto ao cabide. A casa estava calma e só se ouviam os pássaros que na rua anunciavam o novo dia.

A casa de banho era ao fundo corredor e foi de pé em pé atravessando o corredor. Era preciso fazer aquele corredor em bicos de pés porque a madeira já era velha e à mínima pisadela com mais força a casa sabia que estava alguém em pé.

A meio do corredor olhou para a sala e para espanto dele estava a família toda sentada nos sofás que unicamente mobilavam a casa.
Tinham todos uma cara muito séria e a forma como estavam vestidos denunciava que iam sair de casa para algo importante. Eram trajes de cerimonia, e das importantes.
Depois de apanhar um enorme susto parou para respirar fundo e perguntou:
-Já em pé? Para onde vão a estas horas? É sábado...

A avó levanta-se com um ar resignado e pergunta-lhe:

-O que é que ainda estás aqui a fazer...

-Então, eu cheguei agora a casa.

-Não, a tua casa agora é outra.


Cada um dos seus familiares levantou-se à vez e foi junto dele dar-lhe um beijo na face sem dizer uma única palavra.

quarta-feira, 19 de junho de 2013


Quente, frio 
Sol, mar
Ficar ou fugir
Daqui só quero voltar

Ainda é cedo 
Não vás tarde
Tem medo
Vai, cobarde!

Leva-me contigo
Traz-me abrigo
Pode ser algo novo
Porque aqui nem o povo.