quarta-feira, 13 de maio de 2015

Part I

Há exercícios imperfeitos
Coisas inacabadas
Só vejo defeitos
Em casas alteradas

Tudo muda
Isto é assim
Habitua-te miúda


Hoje e agora,
Fazer rimas é foda
Sem demora

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A epopeia da velhice, para ti.

Em ti vou morrer
Em ti vou morar
O novo dia vais ter
Junto a mim, um novo ser.

Nasce de novo
Canta para povo
Cresce o Inverno
Num lar ultramoderno

Feito para todos,
Esta bossa nova
Nesta velhice só nossa
Sem qualquer sova.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014


Dorme-se melhor quando se pratica a respiração sincronizada. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Habitar em ti

Aqui mora gente.
Moro eu, moras tu, moramos nós.
Moram aqueles que querem morar e aqueles que virão a morar.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sensações

As mãos que me guiam até ao espaço, o espaço entre os teus dedos.
As minhas mãos que me levam até ti e que me fazem encontrar-te naquele pedaço de lugar que nada é mais senão a junção dos nossos dedos.
São elas que me permitem tocar-te, saber onde começa o teu pescoço ou sentir-te até ao osso.
Agarrar-te com força até te tirar o ar, sentir a tua forte pulsação ou acalmar-te o coração.
Dar-me a sentir: sentir a água que corre, as flores a abrir ou o teu rosto a sorrir.
Um mar imenso de sensações que me levam até nós. 

Amarrar-te para não mais te largar.

sábado, 1 de março de 2014

"Aconteceu o pior: o esquecimento
Esqueci tudo o que deve ser lembrado
E já não sei se és tu ou se te invento
E se o que resta é só o imaginado

Esqueci o nome o olhar esqueci o rosto
Reclinado nas tardes de setembro
E já não sei sequer quem foi deposto
E se lembro não sei se és tu que lembro

Porque tudo o que esqueci e não esqueci
O esplendor dos corpos no azul de agosto
E aquele não sei que que havia em ti
E aquele ardor em mim de foto posto

Esqueço a  lembrar se te lembro esqueço
E já não sei se és margem ou ainda o centro
De tanto te inventar não te conheço

E quanto mais te esqueço mais te lembro"
Manuel Alegre

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade."


Alvaro de Campos

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Poli



Há duas coisas nesta vida que podemos e devemos tomar como certas: nós e o nosso reflexo. Ainda que por vezes ele nos atraiçoe e nos deixe ficar mal. Mas a quem é que nos deixa ficar mal?
 Dois mil e catorze rima com afirmação. 
Dois mil e catorze é o ano do nós e da mais completa sincronização  entre o nós e o nosso reflexo. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


Ossos Moles


domingo, 3 de novembro de 2013

"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham prá você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você"

domingo, 15 de setembro de 2013


Todas as canções que me deves
Um dia hás de tocá-las
Na minha nova casa
Debaixo da minha asa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tudo o que ele viu foi vermelho


O nascer daquele sol anunciava tudo o que ele não queria.
A vida tinha voltado ao zero.
Naquela que outrora foi a casa da partida era agora a casa da sua maior derrota.
Sentou-se no sofá calmamente, como um bom derrotado, encostou a cabeça e deixou cair os dados.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"1º Amigo

(bebendo conhaque e soda, debaixo de árvores, num terraço, à beira-d'água) Camarada, por estes calores do Estio que embotam a ponta da sagacidade, repousemos do áspero estudo da Realidade humana...
Partamos para os campos do Sonho, vaguear por essas azuladas colinas românticas onde se ergue a torre abandonada do Sobrenatural, e musgos frescos recobrem as ruínas do Idealismo... Façamos fantasia!...

2º Amigo

Mas sobriamente, camarada, parcamente!...
E como nas sábias e amáveis alegorias da Renascença, misturando-lhe sempre uma Moralidade discreta..."

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Chama-se Lucinda e eu cantaria mais ou menos assim

Lucinda vem cá até mim
Senta-te ao meu colo
Não sejas má para mim
Vais ouvir-me a cantar
Aguenta aí até ao fim
Prometo eu vou-me calar
Mas, por favor, ouve-me só a mim

terça-feira, 6 de agosto de 2013


Um dia escreverei um poema
Só sobre ti, sem problema
Com cinco palavras por verso
Explicar nosso amor ao universo


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mau humor só se trata com bom amor.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Jantar?


O prato frio é o teu jantar
Vais-me comer o calcanhar
Hoje não saltas para a sobremesa
Hoje não sais daqui, Teresa

Temos música para te ajudar
A digerir este maldito jantar
Mastiga, engole e não deites fora
Olhem, como ela nada descora.



domingo, 7 de julho de 2013

Antes de se ir embora já com as malas mão perguntou-lhe:


- Precisas de mim para mais alguma coisa?
- Sim. Para viver.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Casa


Chegou a casa já era de manhã. Descalçou-se à entrada e correu para a casa de banho para lavar os dentes e disfarçar o hálito a álcool antes de se deitar junto dela.
Cuidadosamente pousou o calçado junto ao cabide. A casa estava calma e só se ouviam os pássaros que na rua anunciavam o novo dia.

A casa de banho era ao fundo corredor e foi de pé em pé atravessando o corredor. Era preciso fazer aquele corredor em bicos de pés porque a madeira já era velha e à mínima pisadela com mais força a casa sabia que estava alguém em pé.

A meio do corredor olhou para a sala e para espanto dele estava a família toda sentada nos sofás que unicamente mobilavam a casa.
Tinham todos uma cara muito séria e a forma como estavam vestidos denunciava que iam sair de casa para algo importante. Eram trajes de cerimonia, e das importantes.
Depois de apanhar um enorme susto parou para respirar fundo e perguntou:
-Já em pé? Para onde vão a estas horas? É sábado...

A avó levanta-se com um ar resignado e pergunta-lhe:

-O que é que ainda estás aqui a fazer...

-Então, eu cheguei agora a casa.

-Não, a tua casa agora é outra.


Cada um dos seus familiares levantou-se à vez e foi junto dele dar-lhe um beijo na face sem dizer uma única palavra.

quarta-feira, 19 de junho de 2013


Quente, frio 
Sol, mar
Ficar ou fugir
Daqui só quero voltar

Ainda é cedo 
Não vás tarde
Tem medo
Vai, cobarde!

Leva-me contigo
Traz-me abrigo
Pode ser algo novo
Porque aqui nem o povo.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Com todas essas manias não vais longe

Acho que vais encontrar alguém melhor. Só não sei melhor que que quem.
Que tu, talvez?


sábado, 25 de maio de 2013

Resposta

Não gosto que digam coisas sem saberem.  
Ninguém sabe nada.
Sou o que sou porque assim me vão fazendo. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Deixas o  leite e com ele vai-se a irreverência.

Noites quentes, contigo, aquecem as almas. Manhas frias, sem ti, gelam os corações.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Há quem viva com mil e dois gatos mas tu só sabias desenhar pássaros. De todas as formas e feitios. A casa coberta de pássaros. Todos desenhados.